No dia 03 de novembro, foi ao ar a entrevista da nossa CEO e cofundadora Irene Barretto no episódio 51 do podcast da Let’s Money, conduzido por Gabriel Pereira, disponibilizado no Youtube e Spotify.
O Let’s Money é uma plataforma de conteúdo voltada para profissionais do mercado financeiro e de tecnologia, cobrindo tópicos variados como Pix, Open Finance, Banking as a Service, meios de pagamento, câmbio, investimentos e inovação no setor financeiro. A plataforma conta com um portal, cobertura de eventos e o podcast – ao qual Irene foi convidada.
Em sua participação recente no Let’s Money Podcast, Irene trouxe um discurso “pé no chão”, com lições que são ancoradas na realidade dos bastidores das empresas brasileiras, para as quais a Limoney promete tornar a gestão financeira “até 80% mais produtiva”.
Entre os temas tratados, Irene falou de sua trajetória e motivação para empreender,o ponto de virada da Limoney – quando a fintech abandonou a tese inicial de conectar autônomos para distribuir crédito PJ, redirecionando o foco para soluções de automação da gestão de caixa empresarial -, e a capacidade da ferramenta de oferecer previsibilidade de caixa e insights estratégicos além da simples automação.
Também houveram comentários interessantes sobre o uso de Tecnologia para automatizar rotinas e integrar operações financeiras em nichos como clínicas e corretoras, além dos gargalos do Open Finance PJ, que incluem a jornada de consentimento pouco fluida e a baixa qualidade dos dados, que demandam correções internas. Por fim, o tema da Liderança Feminina e a importância do networking construído também foi tratado.
E como foi a conversa?
A participação de Irene Barretto no podcast Let’s Money conta uma história de transformação, conectando sua trajetória profissional de 35 anos de mercado financeiro, sendo 26 deles como executiva do Itaú Unibanco, com a proposta da fintech Limoney.
Irene Barretto é a atual CEO e Co-fundadora da Limoney, mas antes disso, já era uma profissional com vasta experiência no setor bancário e de serviços financeiros. Sua expertise principal reside no desenvolvimento de negócios, abrangendo planejamento e gestão de equipes de vendas e distribuição, além de estratégias de produtos e parcerias para alavancar negócios. Nos últimos anos como executiva do Itaú, Irene dedicou-se à transformação digital das operações de varejo do Itaú na América Latina, com o objetivo de acelerar a adaptação do banco às rápidas mudanças do mercado.
Sua carreira foi marcada pelo que ela descreve como “intraempreendedorismo”, sempre se lançando em projetos novos, como criação do segmento baixa renda no antigo Unibanco, a montagem de uma financeira de crédito consignado em parceria com outro banco, e a estruturação da transformação digital na América Latina.
Trata-se de um gancho interessante, pois Irene começa se apresentando de forma mais pessoal. Na fala da empresária, a mudança de uma carreira estável para o empreendedorismo é marcada por sua vontade de fazer algo novo, explorar outros caminhos e por uma redução no medo de arriscar, facilitada pelo momento de vida em que as despesas diminuíram, as filhas estavam mais crescidas e a vida, mais estável.
Já entrando em sua atual área de trabalho, a Limoney se apresenta às empresas como uma parceira que oferece previsibilidade de caixa e informações estratégicas para evitar o retrabalho das conciliações manuais. O principal desafio é a adesão ao Open Finance, já que a jornada de consentimento para empresas com múltipla alçada ainda não é regular.
Foi juntando esses dois fatores que Irene e Gabriel Pereira entraram no tema central da entrevista: a inovação financeira voltada para fortalecer as empresas brasileiras. Irene fala com a voz de quem atua nos bastidores, de forma “pé no chão”, e descreve a Inteligência Artificial como uma ferramenta que ajuda de forma prática, sem tirar o protagonismo das pessoas. Sua fala é coerente com sua trajetória profissional e com o foco em resolver problemas reais, o que reforça a credibilidade de sua atuação.
Seguindo o raciocínio, Irene relata que, junto aos seus sócios, criou a Limoney com a ideia de conectar profissionais autônomos a bancos para distribuir crédito para pequenas e médias empresas. A tese parecia sólida, mas na prática, o modelo de negócio se mostrou insustentável. Os problemas eram claros: a remuneração pela originação do crédito era baixa, o Custo de Aquisição de Clientes (CAC) era alto e, no fim, o cliente era perdido para o banco que concedeu o empréstimo.
Essa experiência levou a uma conclusão que redefiniu o rumo da empresa: para fidelizar um cliente empresarial, não basta ser uma ponte para um produto financeiro. É preciso estar presente na sua rotina, resolvendo uma dor operacional diária. O pivô para um modelo de SaaS de gestão de caixa foi também uma reafirmação da identidade da empresa, que deixa claro em sua comunicação: “Não somos um Banco ou Instituição Financeira”. Em resumo: quem controla a experiência com o cliente é quem tem a jornada do fluxo de caixa. Se você não resolver o operacional, não fideliza o cliente.
Para entregar uma proporção maior de automação, a Limoney percebeu que precisava se aprofundar em segmentos específicos, plugando soluções diretamente na camada operacional do cliente. A partir desse insight, diversos exemplos foram trazidos por Irene – e complementados por Gabriel Pereira.
Nas clínicas médicas, por exemplo, Irene contou que o desafio reside nos recebíveis (contas a receber) pagos por operadoras de saúde, que agrupam os valores. Em operações complexas, como cirurgias multiprofissionais, a chegada do dinheiro da operadora exige o split de pagamento.
Já corretoras de seguros grandes que trabalham com 30 a 40 seguradoras necessitam de uma automação mais profunda para lidar com a complexidade inerente a essa cadeia de prestação de serviço.
Irene também citou um cliente do setor audiovisual que procurou a Limoney devido à dificuldade de conciliar vendas B2B e vendas de varejo (recebidas via Pix). A solução tecnológica precisou acoplar a emissão de uma ordem de serviço, que é a formalização do aceite do cliente, para criar uma expectativa de recebimento, integrando o operacional ao financeiro.
Com essa visão, Irene dissertou sobre como Limoney aplica seu conhecimento específico de cada segmento para criar valor real, aumentar a autonomia do cliente e consolidar sua posição como parceira tecnológica confiável, mostrando que resolver dores práticas é a chave para fidelização e sucesso.
A estratégia
A partir destas conclusões, a Limoney passou a atuar como uma plataforma de gestão de caixa, ajudando empresas a automatizar tarefas financeiras diárias e a ter previsibilidade de fluxo de caixa. Irene relatou como o foco deixou de ser apenas oferecer acesso a crédito e passou a ser resolver as dificuldades operacionais que o empresário enfrenta todos os dias.
A estratégia da Limoney para atrair clientes se baseia em despertar o interesse das empresas, oferecendo benefícios claros e desejados.
- O que é oferecido: A Limoney promete às empresas mais controle e previsibilidade sobre o seu caixa. Esse é o principal valor, e a automação é o meio para chegar lá.
- Os benefícios destacados são:
- Tempo: liberar o empresário para se concentrar no negócio, economizando até 80% do tempo gasto com conciliações manuais.
- Precisão e controle: garantir total domínio sobre recebimentos e pagamentos e classificação correta das entradas e saídas.
- Tempo: liberar o empresário para se concentrar no negócio, economizando até 80% do tempo gasto com conciliações manuais.
- No mercado PJ, o grande propósito da Limoney é eliminar o operacional diário através da automação. O grande charme da ferramenta não é apenas entregar a automação, mas sim oferecer insights e a previsibilidade de caixa. A ideia é ajudar o cliente a olhar para frente, liberando tempo para que ele se concentre no negócio e nas vendas.
- Uso de IA: A Inteligência Artificial está sendo usada para a leitura e extração de dados de documentos (como notas fiscais, boletos e recibos). Futuramente, a Limoney pretende plugar a IA em sua base de dados para gerar insights para o cliente sobre o fluxo de caixa, pagamentos e recebimentos.
- Os obstáculos: O principal desafio é técnico, a jornada de consentimento do Open Finance para empresas com múltipla alçada ainda é complicada.
- Como a Limoney lida com isso: A empresa reconhece esses problemas, e até traz como alternativa a possibilidade do cliente fazer o upload do extrato bancário. A Limoney acredita que o Open Finance é uma tendência irreversível e que o sistema está evoluindo. Prova disso é a agenda consistente de melhorias promovida pelo Banco Central em conjunto com a Associação Open Finance.
Quando Irene diz “Nós estamos no século XXI, não dá para ficar usando tecnologia da década de 90”, ela contrapõe o medo da mudança à ideia de modernidade, encorajando o empresário a adotar o novo sistema. Isso porque a estratégia da Limoney se baseia em despertar o desejo de agir do cliente, mostrando que ele ganha ao aderir à inovação.
Inclusive, quando Irene reconhece abertamente os desafios do Open Finance, isso não enfraquece sua fala, pelo contrário, mostra transparência e reforça a confiança na empresa. Ao admitir desafios atuais do ecossistema no Brasil, como a “baixa qualidade dos dados” e a “jornada quebrada”, a Limoney mostra que entende o problema e está trabalhando para resolvê-lo. Essa transparência nem sempre presente no discurso empreendedor é uma ferramenta para provar credibilidade, além de competência.
A Limoney mostra sua capacidade técnica ao corrigir inconsistências internamente e conectar o sistema a outras plataformas, focando nas ferramentas e o conhecimento necessários para entregar resultados. Prova disso é que, na entrevista, Irene e Gabriel valorizam o pragmatismo, “resolver o que realmente importa”, e se afastam da ideia de inovação vazia, reforçando a imagem de uma empresa sólida e focada em resultados concretos.
Assim, a autocrítica vira uma forma de persuasão: ao reconhecer os problemas, a Limoney demonstra competência para solucioná-los, tornando-se uma parceira essencial para as empresas.
A ideia inicial da Limoney era eliminar trabalho e devolver tempo para focar no negócio. Embora essa promessa seja poderosa, Irene concluiu que a automação de tarefas operacionais é apenas um meio para um fim muito mais tênue: dar ao gestor previsibilidade e insights sobre o caixa da empresa.
Essa visão eleva a proposta de valor, transformando a Limoney de uma simples ferramenta de eficiência para uma parceira na tomada de decisões. Ao se aprofundar em nichos específicos do setor de serviços, como clínicas médicas, corretoras de seguros e empresas de mídia e tecnologia, a empresa consegue entregar uma automação mais precisa e, consequentemente, uma previsibilidade mais confiável para que o empresário possa planejar investimentos e antecipar crises de liquidez.
O “grande charme” – como diz Irene – da ferramenta, então, não é entregar a automação, mas é entregar os insights e a previsibilidade de caixa.